GUIA DE ACOLHIMENTO SÓCIO EMOCIONAL DE
RETORNO ÀS AULAS

Giuliana de Angelis Depieri Malagutti
Departamento de Psicologia

INTRODUÇÃO



Nós do CDI Santa Maria, instituição que trabalha os vínculos e as relações humanas, descrevemos a seguir, um guia de acolhimento para o retorno às aulas, construído pelo departamento de psicologia, que tem o compromisso ético e social de cuidar dos aspectos socioemocionais e humanos para o retorno às aulas. Almejamos e desejamos que esse documento possa colaborar para um retorno ao ambiente escolar de forma estável e saudável, minimizando os riscos emocionais decorrentes desse período de distanciamento social, tendo como foco a preocupação da saúde mental de toda a comunidade escolar.

Esse manual é um guia de orientação e ofertas de práticas de atividades e ações que possam circular no ambiente escolar entre todos os atores da instituição (professores, funcionários, gestores e alunos) e família: pais e outros cuidadores que circulam pela escola e fazem parte dessa identidade que se chama escola, que inspira vida, esperança, potência e que se prepara para que esse retorno seja um momento de resgate desse local que acolhe, ampara, cria rede de proteção e apoio. Sintam-se abraçados por nós e assegurados que cuidaremos de cada detalhe que se relaciona a esse universo infância.

PERIODO HISTÓRICO – SOCIAL



A rotina de confinamento e distanciamento social levou às famílias a ensaiar um novo modelo de rotina, aprendendo a conviver juntos num mesmo espaço, que se transformou num ninho de segurança e um espaço em potencial de trabalho, brincadeiras, atividades escolares/ensino remoto, serviços domésticos, exercícios físicos e momentos de trocas familiares, além de ter sido um exercício para aprender a lidar com as emoções, sentindo cada temor, inconsistência, inconformismo, desesperança e reinvenção do que se chama viver. A pandemia nos deixou a flor da pele, com ansiedades, oscilações de humor e criou gatilhos emocionais de medo ao escutarmos notícias tristes, adoecimento de familiares e luto por aqueles que se foram. Com essa experiencia ficamos em estado de estresse crônico pela falta de compreensão mental que garanta nomeação dos sentimentos e estratégias para tomar conta esse corpo que dispara cansaço, mal estar, fadiga, falta de energia e desamparo.

O grande pilar que devemos cuidar agora é o socioemocional. E, agora, essa missão nos parece ainda mais urgente, pois ensaiamos a vida nesse período atemporal de distanciamento social como uma grande surpresa, em que de um dia para o outro nos deparamos com a paralisação das aulas presenciais. Nesse momento o mundo começa a se organizar para um retorno de suas atividades e então é preciso nos planejar, pois almejamos que essa retomada seja mais saudável e cuidadosa com todos. Compreendemos que para esse retorno será necessário um fortalecimento da comunidade escolar, que sofreu um grande impacto, e acreditamos que o melhor caminho para isso será através do trabalho socioemocional, e nos unirmos

GESTORES E DIREÇÃO TÉCNICA


Nossa missão foi lidar com um material extenso de leituras, planos e diretrizes nos últimos meses. Circulamos o mundo inteiro, virtualmente, buscando inspirações com diversos colegas e parceiros para entender como cada uma agiu na tentativa de encontrar a melhor forma de lidar com essa situação, para nos rechearmos de saber, repensar a educação e planejar as novas modalidades de ensino. Nos colocamos em ação através dos comunicados, circulares e boletins através dos grupos de watts app, atendemos as famílias que buscavam orientação e escuta e nos deparamos com muitas decisões a serem tomadas ao longo do caminho. Estar à frente de uma instituição que acolhe tanta gente em um momento tão difícil da humanidade, nos parece um grande desafio. Escola é um terreno onde muitos buscam encontrar respostas e cobram coerência, buscam uma palavra de conforto, uma garantia e uma solução. A ação da escola é sempre no movimento de buscar soluções, preparar a escola para receber nossas crianças e o lema da esperança que nos aquece. Por isso organizamos esse documento para nos preparar para essa retomada e assegurar vocês de que estamos cuidando, zelando e escutando.

AÇÕES NA ESCOLA PARA O RETORNO

Para cuidarmos do nosso bem-estar emocional e social, realizaremos algumas ações em conjunto durante o retorno para a escola.
Dividiremos em três momentos: 1) Acolhimento inicial, 2) Vinculação e elaboração e 3) Tomada de ação.

A fase 1) Acolhimento inicial diz respeito ao sentimento de saudades, pois trata-se de proporcionar o reencontro das crianças com seus pares, criar regras de convivência lúdicas e transbordar os sentimentos, acolhendo as emoções. E a melhor forma de falar da saudade é conseguindo contar desse tempo de estar longe, através das rodas de conversa, das histórias, desenhos teatros, artes.

A fase 2) Vinculação e elaboração é uma fase especial de podermos cuidar do nosso emocional e elaborar esse período de luto, um luto coletivo e intenso que habitou os lares e podermos cuidar das relações, vínculos e afetos.

A fase 3) Tomada de ação é a fase que estaremos prontos para nos reerguer, fortalecendo as redes familiares, o vínculo coletivo, a rede de proteção, as aprendizagens que queremos garantir e o papel da escola.

FASE 1: ACOLHIMENTO INICIAL

A primeiro momento de ação socioemocional às aulas presenciais intitulado Acolhimento Inicial será em torno da preocupação em entender como cada família está pensando nesse retorno, após um período de tempo distante fisicamente da escola e fazer esse resgate de forma gradual, no tempo de processamento subjetivo de cada um, respeitando as decisões dos familiares para aqueles que optarem por não retornarem de imediato (mas gradualmente em alguns períodos da semana ou somente na terceira fase de retomada escolar segundo plano do governo do estado). Vamos escutar como foi a experiencia na quarentena de cada um e quais possíveis repercussões emocionais e físicas, quais alegrias, quais histórias prazerosas, quais medos e perdas. Iremos ofertar uma recepção calorosa em uma melhor readaptação das novas rotinas. Será importante escutar quais são as principais ansiedades e encontrar maneiras de acolhê-las. Vamos contar quais experiencias nós ganhamos nesse período e quais foram momentos impactantes de perdas e reformulações da rotina e dos projetos de vida de cada família.

Segue um vídeo institucional para a comunidade escolar, para alinharmos a expectativa desse retorno, dando algumas indicações de como será e apresentando o que estamos chamando de novos símbolos gestuais e expressões faciais de relação, ou seja, novas forma de demonstrar afeto, respeitando o distanciamento. Estamos todos privados desse contato físico e caloroso de abraços e toques para aprimorarmos nosso motor sensorial que agora irá detectar novas formas de relação.


FASE 2: VINCULAÇÃO E ELABORAÇÃO

O segundo momento intitulado Vinculação e Elaboração consiste na preocupação de elaborarmos as vivências, pensamentos e experiências do isolamento social. Vamos abrir um espaço para contarmos nossas vivencias, transformar em fala nossas emoções, traduzir em nomes nossos sentimentos. Duas perguntas norteiam esse momento:

Como está nossa saúde emocional e nossa saúde corporal?

Como vamos cuidar de todas as pessoas que passaram por alguma perda, real ou simbólica nesse período inédito social?

Abriremos um espaço para falarmos desses processos de ausência escolar, sensação de perdas reais e fantasiosas para colocarmos esses sentimentos num espaço protegido e no coletivo, dissolvendo as angustias juntos e promovermos saídas e recursos emocionais, já que estivemos em um momento de luto coletivo e agora faremos o resgate das nossas potencias, seguranças internas, certezas, esperanças, renovações e reinvenções. Vamos nos escutar e ter um olhar atento para as mudanças de comportamento de todos que estarão à nossa volta e vamos ter que reinventar nossa forma de nos relacionarmos, já que teremos muitas indicações sanitárias sobre distanciamento. Vamos aguçar novas sensorialidades, formas de captação de emoções através do olhar, da escuta, do mergulho e da intenção, que nos coloca a sair do piloto automático e modo operante conhecido para habitar novas teias de sinestesias sensoriais, auditivas, olfativas e corporais.

Para isso trabalharemos o luto e a dor, por ser fundamental narrar essa história nesse período de distanciamento social. Retomar os laços e o sentimento de identidade grupal pode nos ajudar a simbolizar as perdas e reconstruir o sentido da vida, recompondo as cenas e elaborando as memorias. Para isso utilizaremos campos da linguagem e artes para promover a potência de vida.

FASE 3: TOMADA DE AÇÃO

Esse momento intitulado Tomada de Ação consiste em criar um formato de intenção dentro da escola, colocando em prática ações junto aos alunos e comunidade que representem o pilar socioemocional para que se tornem um fazer cotidiano na instituição. O convite é compartilharmos e reconhecermos o que aprendemos nesse tempo para seguirmos com o nosso barco rumo a novos (e até antigos) destinos. É a compreensão de que, se não desacelerarmos e observarmos o que foi aprendido, acabaremos por seguir os mesmos passos que antes, mesmo já tendo ficado claro que há muito o que mudar. Estamos refletindo se essa rotina acelerada é de fato necessária, se todas as viagens de avião são necessárias, se todo mundo precisa sair de casa e voltar no mesmo horário, se podemos ser mais flexíveis e menos congestionados. Então, talvez abra a oportunidade para refletir sobre alguns valores e que estamos vivendo uma situação muito singular, de outra temporalidade, num tempo diferente e nos descobrindo como uma pessoa estrangeira à nova rotina, inventando uma temporalidade diferente e formas de vínculos inaugurais.

Nessa fase tomada de ação a escola irá trabalhar o "fortalecimento das redes familiares", que consiste na ideia de pensarmos como a escola e as famílias podem se apoiar nesse momento do retorno, entendendo que será um processo gradual e distinto para cada núcleo familiar.

FASE 1: ACOLHIMENTO INICIAL
* REENCONTROS



Provavelmente, durante o período de isolamento social, todos nós desejamos e sentimos saudades de reencontrar pessoas que amamos e manter vínculos seja no trabalho, na família ou círculo de amizades. E ao desejar vivenciar essa cena calorosa, vem a memória uma cena cheia de abraços, beijos e de proximidade física, como forma de resgatar nossos elos diante desse cenário de um futuro incerto. Nesse sentido temos o desafio de preparar esse reencontro recheado de saudades, afeto e carinho respeitando as recomendações sanitárias de distanciamento.

A saudades é imensurável e ao mesmo tempo o encontro parece novo: como vamos no comportar? Como reagiremos a esse encontro? Para nossa cultura a relação é marcada pelo toque corporal e ao imaginarmos um contato sem o toque é algo inaugural, principalmente no campo da educação infantil marcado pela presença do vínculo e afeto presencial. Vamos considerar que esse momento será acompanhado por alguns estranhamentos e que cada aluno e cada educador trará a sua bagagem particular de experiências. Foram meses de isolamento, ensaios de solitude, sensações de viver angústias pessoais e/ou grupais, e agora vamos nos preparar para retornar ao espaço coletivo de forma calorosa mesmo à distância. Para isso vamos acolher as demandas de toda comunidade escolar, observando e escutando suas experiencias, anseios e necessidades, retomando que a identidade escolar permanece sendo esse espaço humano e acolhedor e que os novos gestos e símbolos para as trocas sociais farão parte da identidade da escola.

AÇÕES:

SAUDAÇÕES



O Vídeo anexado anteriormente mostra alguns símbolos e gestos corporais criados pelo grupo de professores e gestores da nossa escola para demonstrar o cumprimento que estabeleceremos entre nós, de uma maneira segura, divertida e carinhosa e que sejam conhecidos por todos, nutrindo o sentimento de pertencimento escolar. Vamos alinhar as expectativas dos alunos sobre o retorno, sobre os combinados de distanciamento social, conhecendo as marcações do espaço, nova rotina, como deve se comportar nos ambientes comuns, importância da limpeza das mãos e uso do álcool em gel, uso de máscaras para proteger-se e proteger seu semelhante, importância do rodízio de turmas e o transito dos alunos, todas medidas para firmar novas posturas, combinados, locais de passagem e rotina a ser adotada.

PESQUISA COM OS FAMILIARES PRÉ RETORNO



Realizar uma pesquisa antes das aulas presenciais voltarem para saber quais são as maiores preocupações e dúvidas da comunidade escolar e suas expectativas. Essa pesquisa será um primeiro momento do processo de acolhimento para garantir uma percepção mais clara de como a comunidade escolar está pensando em relação ao retorno às aulas.

Questões:
Quais são os seus receios com o retorno das aulas?
( ) medo do contágio ( ) adaptação do aluno ( ) outros:

Quais são as suas três maiores dúvidas sobre como será a rotina escolar?
1:
2:
3:

Como você espera que seja a primeira semana de aula?

COMBINADOS PODEM SER LÚDICOS



As novas regras de distanciamento social como lavar as mãos com frequência, usar máscaras, ter a distância de pelo menos um metro e meio/dois entre as pessoas não parece caracterizar uma escola, pois escola nos remete a lembranças de proximidade, aprendizagem e brincadeiras coletivas, compartilhamento de objetos e brinquedos e demonstração de afetos mediados por abraços, apertos de mãos, sorrisos, sentar no colo do professor e ficar ao lado do amigo. A ideia é podermos pensar que esse é o novo formato para podermos retomar a presença na escola e manter as relações presenciais, tão importantes para a aprendizagem de crianças em idade escolar.

Por isso faz-se necessário adequar ao planejamento pedagógico os temas: como explicar as novas condutas sanitárias de forma brincante? Como fazer a comunidade escolar compreender sobre a necessidade de respeitar essas regras sem ser através do medo? Quais são os caminhos lúdicos para que essas regras sejam introjetadas com mais sutileza?

*BRINCANDO PARA ENTENDER



Fazer atividades que tratam da importância de lavar as mãos no Combate ao Corona Vírus:

1) vídeo explicando como lavamos nossas mãos;


2) vídeo mostrando de forma lúdica que vírus é esse.


* PINTANDO NOSSA MASCARA



Nessa atividade as crianças terão uma máscara personalizada feita por elas. Cada educadora planejará uma atividade para os alunos pintarem sua própria máscara da maneira divertida. Após esse primeiro momento faremos uma brincadeira de adivinhação, em duplas, um na frente do outro, com a máscara na face, cada um tem que adivinhar as expressões faciais, associadas a sentimentos como alegria, tristeza, raiva, medo. Vamos aguçar os novos sentidos fazendo as crianças se olharem, adivinhar o que o amigo está pensando e sentindo, através do olhar. Os olhares podem nos ajudar a dizer o que estamos sentindo e que eles serão os nossos grandes aliados nesse momento de uso de máscaras.

* CONSTRUÇÃO DE CARTAZES

Para compartilhar as regras sanitárias as crianças vão construir cartazes e espalhar pela escola nos murais. Dessa forma, os alunos poderão aprender sobre o tema de forma criativa e ainda sentir que fazem parte desse processo de conscientização.

Cartaz 1: Corona Vírus



Cartaz 2: Prevenção Corona Vírus



* SENTIMENTOS PRECISAM SER ACOLHIDOS



Nesse período de quarentena, as famílias passaram a conviver em tempo integral, aumentando o grude e a dependência entre pais e filhos, já que a casa passou a ser o porto seguro, o ninho de proteção e segurança. Como fazer essa separação de algo que estava tão adaptado? Por isso o retorno das crianças para a escola acontecerá no tempo de cada criança, para que esse novo cordão seja instalado. Essa volta é distinta e acontecera aos poucos, dia-a-dia, até que nossa confiança no mundo se restabeleça. A escolha de manter nossos filhos protegidos trás um conforto emocional de podermos controlar algo e decidir pela volta é trabalhar novamente esse descontrole.

Por isso nossa escola tem se preparado para que esse retorno seja brando e tranquilo, de forma leve. Nós não iremos alcançar o cronograma perdido e nem tamponar as lacunas deixadas, mas vamos acolher o retorno de cada um, com cuidado. Cuidar do emocional se faz imprescindível para que ele se aquiete e a mente se abra para aprender. Não há aprendizado possível se a gente não criar o campo do afeto. Já dizia Buehner: "As pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez. Mas elas nunca se esquecerão de como você as fez se sentir". Nossos alunos vão se lembrar dos educadores que a escutou, valorizou seus sentimentos, e ofertou acolhimento.

*RECEPÇÃO DOS FUNCIONARIOS



Com a equipe atuante na escola faremos encontros semanais em formato de grupo operativo para trabalhar as novas metodologias de ensino, as novas formas de se relacionar, ensino hibrido, fortalecendo o grupo para que se acolham, se ajudem, dando suporte e apoio para cada um, além de ser um espaço de escuta do que os educadores vivenciaram nesse período. No início do grupo faremos uma dinâmica da confiança grupal: cadeiras em círculos com a devida distância entre elas, garantindo que todos consigam se ver. A atividade se chama "círculo da confiança", em que um mediador faz uma pergunta ou provocação e os demais são convidados a compartilhar seus sentimentos. Essa atividade visa criar um espaço seguro de troca. O objeto da fala é o olhar, a forma como consegue contar dos seus sentimentos e aflições, no exercício de aguçar outras zonas de sentidos. A pessoa que conduz o círculo faz uma pergunta e olha para o funcionário que irá começar a atividade. Após compartilhar a sua resposta, essa pessoa deve cruzar o olhar com um colega, que será o próximo a falar. Uma rodada do círculo da confiança termina quando os olhares tiverem cruzados todos os presentes.

Após esse momento coletivo de troca, sugere-se uma reflexão individual: convide os seus funcionários a criarem uma linha do tempo sobre os momentos, experiências, sentimentos e reflexões do período de isolamento. Essa linha do tempo pode seguir a representação tradicional de uma linha reta na horizontal ou pode ser livre. Os desenhos também são bem-vindos nessa atividade. Após esse momento de criação individual, cada um pode expor sua criação para compartilhar suas linhas do tempo e colar suas criações nas paredes da sala para que todos possam vê-las.



Roda de conversa: Atividade de roda com o grupo de professores conversando sobre o processo de perdas e lutos. Os professores serão os atores principais dessa escuta aos alunos que trarão para a escola toda carga emocional que eles vivenciaram e o professor precisa estar munido de instrumentos para trabalhar essas emoções. Trazer para a roda situações de perdas estressoras e pedirem para enumerar em ordem crescente do que é menos a mais doloroso.

Esses itens seriam:
( ) inicio de trabalho online;
( ) medo perder emprego;
( ) diminuição de ganho;
( ) não poder abraçar;
( ) não ver as crianças;

*RECEPÇÃO ÁS CRIANÇAS



Essa atividade deve ser realizada nos primeiros dias de aula com o professor tutor de cada turma, que deve criar uma caixa que possa conter várias outras caixas ou embalagens dentro. Na última camada dessa embalagem, guarde um objeto ou desenho que simbolize a saudade. Para começar a dinâmica, organize os alunos em roda e coloque em seu centro a caixa. Conte aos alunos que dentro dela está uma coisa que o professor guardou desde o início do isolamento social. Cada aluno deve retirar uma camada da caixa para, no final, descobrir que o elemento guardado foi a saudade. Converse com os alunos sobre o tema. Primeiro pergunte a eles de quem mais sentiram saudades na quarentena. Após escutar suas contribuições, pergunte do que eles sentiram mais falta na escola. Por fim, peça aos alunos para desenharem sobre o que sentiram mais saudade e exponha a arte produzida pela sala.

*RECEPÇÃO DAS FAMÍLIAS



Colocaremos na entrada da escola uma mesa com uma caixa, bloco de papel, caneta e álcool em gel. Convidaremos às famílias a participarem de um mural colaborativo com o tema: o que eu aprendi sobre a minha família em tempos de isolamento social? Cada família deve escrever ou desenhar sobre os seus aprendizados e guardá-los na caixa. Ao longo da semana, retiraremos os papéis e montaremos um mural na frente da escola, para que cada família possa contar sua experiencia num espaço coletivo e sentir-se pertencente e acolhida.

SEGUNDA FASE – VINCULAÇÃO E ELABORAÇÃO

*CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

A pandemia evidenciou a necessidade de cuidarmos da nossa saúde mental. Em um momento onde todos sentiram sua saúde física ameaçada, a melhor maneira de controlar a disseminação era o isolamento, muitos anseios, medos e temores nos acompanharam. O desconhecido tem o poder de gerar fantasias que muitas vezes nos imobilizam e aterrorizam. Ao longo desse processo, muitas pessoas somatizaram no corpo o que estava sendo produzida na mente. A obrigação de ficar em casa (ou a exposição ao sair) mostrou a importância de olhar para dentro, seja para observar e reconhecer suas próprias emoções, como para olhar para as relações diárias que muitas vezes estavam sendo deixadas de lado. Situações muito difíceis e algumas até graves podem ter sido vividas pelas pessoas da comunidade escolar e, por isso, a instituição tem um papel tão importante de olhar para isso no seu retorno. O setor de psicologia juntamente com a direção técnica estará atenta, já que a escola será o local de referência e muitas vezes é nesse ambiente que as questões são reveladas.

*ESCUTA À COMUNIDADE



Abrir um espaço de escuta e diálogo, disponibilizando alguns horários por semana na sala de reuniões que ficará reservada para que as pessoas busquem esse espaço para falar do que foi/tem sido difícil nesse tempo. Divulgaremos esses horários, que serão nas sextas feiras com o departamento de psicologia, para todas as pessoas da comunidade escolar, ou seja, funcionários, alunos e famílias. Será um espaço de acolhimento e primeira escuta e uma oportunidade para algumas questões serem colocadas e, caso necessário, encaminhadas para os profissionais externos, dependendo da sua relevância.

*IMPORTÂNCIA DE UM OLHAR CUIDADOSO



Esse lugar que tanto enfatizamos de fala e escuta ativa é muito importante, porém nem todos se sentem à vontade ou entendem que esse movimento pode ser tão significativo. Por isso, é fundamental que estejamos sempre com o olhar atento para aqueles que estão à nossa volta. Observar uma mudança de comportamento ou de humor pode ser uma boa ferramenta para reconhecermos quando algo não está bem para alguém. É importante enfatizar que isso não é um convite a uma vigilância para qualquer mudança, afinal, sabemos que as pessoas podem não se mostrar muito abertas em um determinado dia, ou podem estar mais chateadas em outros e até mais introspectivas em alguns momentos, mas é extremamente relevante que os funcionários da escola estejam mais atentos para essas transformações, seja das crianças e dos seus parceiros de trabalho. Com esse olhar aguçado, muitos sofrimentos podem ser identificados e, dessa forma, encaminhados para as pessoas que podem acolher e ajudar.

Acreditamos que essa reflexão e esse treinamento devam ser feitos com qualquer funcionário da escola, já que a aparição dessas mudanças comportamentais e de humor não ficam restritas só à sala de aula. Essa percepção pode ser vista pela pessoa que fica na porta da escola, que enxerga a relação da criança com sua família, por exemplo. Nos atentaremos sobre a importância desse olhar cuidadoso para toda a comunidade escolar, a fim de que seja possível identificar pessoas que estejam passando por alguma situação difícil, mas que não têm condição ou mesmo percepção para nomear isso e pedir ajuda. Esse espírito de cuidado e atenção para se sentirem seguros e permitir que o indivíduo transpareça a sua vulnerabilidade e humanidade.


*PRECISAMOS FALAR SOBRE O LUTO



Esse tema nos traz uma representação de dor e nos remete a ser um tanto delicado falar sobre, pois não fomos ensinados dentro da cultura e falar sobre morte, luto e perdas. Normalmente o silêncio e o recolhimento parece ser o melhor caminho para que o processo simbólico aconteça, mas é sempre importante tocarmos em temas difíceis para que eles possam ser dissolvidos e amparados socialmente, evitando que os sentimentos cresçam em nós com ainda mais força. Por isso precisamos de um tempo simbólico de elaboração para falar sobre esse processo de perda.

Nesse sentido, defendia Freud, o pai da psicanálise, os humanos estão em enfrentamento com três grandes dificuldades. A primeira advém da relação com o mundo real, que Freud chamava de relação com a natureza, ou seja, algo que se impõe a todos nós e que não temos controle, seja a realidade dos constrangimentos sociais ou um cataclisma que nos acontece e ao qual não é possível ignorar e temos que nos sujeitar, fazendo com que nossa vida precise mudar de rumos inesperadamente.

A segunda fonte do que Freud chamou de mal-estar da civilização seria a relação com o próprio corpo, na medida em que o corpo é portador da finitude, mostrando o tempo todo que não somos donos do que nos acontece. Ainda assim, muitas vezes, temos que viver em função de uma limitação colocada pelo corpo, seja em decorrência do envelhecimento ou de uma situação externa, como uma doença ou um evento que venha mudar completamente nossa relação com esse corpo.

A terceira fonte, por sua vez, é a relação de si com o outro, que incomoda, invade, sinaliza, atrapalha, completa e me ampara. Mas nesse período de isolamento o outro se tornou uma ameaça e uma sensação de desproteção, fazendo nos recolher e nos proteger, saindo da correria do dia e repensando os formatos de viver. As consequências da pandemia colocaram em cheque a maneira que vivemos, o senso de coletividade, as nossas escolhas, projetos e sonhos, mas é um crescimento importante, e isso nos leva a ter que passar pelos lutos das mudanças.

Caminhos para debater o luto

Sabemos que cada um irá vivenciar o processo de luto de uma forma diferente e subjetiva e com nossas crianças devemos ter em mente que o entendimento é diferente: a criança não tem ainda o conceito de permanência construído, então ela pode viver a experiencia de morte mas não entende que é permanente essa passagem. Para a criança os adultos íntimos da família são modelos de identificação e segurança e que deixam marcas por toda a vida. No estágio pré-operacional, segundo Piaget, a criança percebe a morte como um evento temporário e com possibilidade de reverter. As crianças apresentam pensamentos mágicos, que funcionam sob sua logica e sob suas ações: o que pensam e desejam acontece, portanto podem relacionar que caso haja uma morte foi ela mesma que desejou, ás vezes trazendo culpa e passam a perguntar quando o ente querido irá voltar. A melhor maneira de lidar com o sofrimento de forma construtiva não é evitá-lo, e sim favorecer a conversa, compartilhando os sentimentos. Omitir ou ignorar pode aumentar o medo e inseguranças e não use metáforas para falar da morte, use uma linguagem clara para que a criança compreenda.

O luto é um processo de elaboração de perdas vividas e fazem parte da existência humana desde o início da vida. O primeiro laço que a criança constitui é com a figura materna que funda a relação mãe-bebê em que há confiança, carinho e segurança. A criança sai para explorar o ambiente, mas retorna sempre para sua base segura e busca ser atendida. Quando ela cresce e vai se distanciando dessa base com as novas conquistas, ela se depara com as novidades que a impulsionam, mas sente o desconforto da perda dessa completude, e vive em formas de perdas e lutos. Por isso devemos sempre dialogar com as crianças, auxiliando-as para que tenham firmeza e confiança no seu caminhar e que as mudanças são importantes para os avanços da vida. Conseguir conversar com as crianças sobre os sentimentos é algo extremamente importante, para que se possa explicar e esclarecer – esse movimento não retira a dor, mas assegura que a criança pode ter com quem contar e se amparar. Quando a criança se expressa ela precisa de um outro empático que confirme suas impressões e o que está vendo. Comunique sempre o que está havendo, para que a mensagem chegue com clareza.

A escola é um local importante de cuidado para falar sobre essas temáticas e reassegurar a criança que ela tem apoio. Os livros são ferramentas importantes para falar do luto. Em muitas histórias, a criança pode se identificar com os processos vividos pelos personagens. Tem coisas que são difíceis de serem expressas pelas palavras e nesse sentido a imaginação pela literatura são narrativas possíveis.


* INTERVENÇÃO DO CORPO DOCENTE COM AS CRIANÇAS



A Saúde emocional de alunos e professores que sofreram os impactos no formato das aulas estão sob estresse das mudanças. Acolher a vulnerabilidade e as emoções, flexibilizar rotinas, tempos e espaços para incluir o lugar de acolhimento e rituais para receber as crianças. Isso tudo vai ajudando os pequenos e os próprios professores a elaborar melhor o que viveram. Abrir espaço para que ambos ressignifiquem o trauma. Voltar pós tantos meses é voltar pós alguma catástrofe, portanto devemos cuidar do trauma, da ferida, do luto, nesse espaço amplo de convivência e das relações. Mais do que correr atrás do tempo perdido de repor conteúdo, é tempo de trabalharmos a empatia e olhar integral para os alunos, com muitas rodas de conversa, expressão dos sentimentos, escuta e apoio até para repensar a rotina dentro da escola, antes estudando de casa e agora na escola.

Segundo Fraiman cuidar do fator humano vai ser essencial para que o professor tenha uma volta mais suave. "Vamos todos voltar angustiados. Você sai da angústia com a fala ou o ato. Falar sobre ela, escrever sobre ela, refletir sobre ela é fundamental", disse. Com nossas crianças vamos trabalhar com projeções simbólicas com atividades com artes, desenhos, teatro e com histórias:

Livros:
HEEGAARD, Marge. Quando alguém muito especial morre. Artmed, 1998
MUNDY, Michaelene. Dizendo adeus, dizendo olá. ed. Paulus, 2006.
ARANTES, Ana Claudia Quintana. A morte é um dia que vale a pena a viver. Editora Sextante, 2019.

*NOVAS FORMAS DE SE RELACIONAR



Muito do que estávamos acostumados a fazer antes da pandemia precisará ser reinventado, no quesito contato humano. Com o retorno à escola, é bem possível que haja um revezamento de horários, divisões de turmas e estações de aprendizagem e de vivencias. O desafio é manter a escola como o espaço fértil da convivência, do senso coletivo e grupal, prevendo o distanciamento seguro. Os espaços sociais como refeitório, quadra, brinquedoteca, solaruim, parque e os corredores que antes eram transitados pelos alunos, agora estarão com novas marcações no ambiente e quantidades reduzidas de alunos.

Como vamos garantir que nossos corpos fiquem aquecidos e acolhidos mesmo à distância? Como faremos para brincar juntos dividindo os brinquedos a distância?
Para manter as turmas em constante relação mesmo a distância, faremos algumas ações entre os alunos para aquecermos o contato humano.

CARTAS E /OU DESENHOS PARA OUTRAS TURMAS



Entendemos que essa nova realidade na escola de corpos separados, turmas reduzidas e tempo de interação entre os pares com todos os cuidados, podemos aproximar os laços através de recursos externos, como bilhetes e/ou desenhos para os colegas que estão em outras turmas ou turnos diferentes. Assim podemos colocar nossos sentimentos, nossa criatividade para presentear nossos amigos com novas produções.

PRESENTE SURPRESA

No retorno nossas turmas serão divididas em turnos, períodos para garantir que não haja aglomeração, então alguns vão frequentar presencialmente a escola em uns dias e parte em outros, então na troca de turnos de turmas, cada grupo prepare uma surpresa para os que virão nos outros dias, que pode ser desenhos, escritos, vídeos, mensagens: deixar um desenho abaixo das mesas, uma mensagem carinhosa na lousa ou mural, gravar um vídeo mandando mensagem de boas-vindas para o grupo.

HORA DA MÚSICA



As educadoras irão combinar músicas que serão cantadas coletivamente em um horário comum previamente marcado. A proposta é fazer uma ou duas vezes no dia, para que os alunos também possam extravasar um pouco da sua energia.

ANCORADA

FORTALECIMENTO DAS REDES FAMILIARES

O retorno à escola não será um retorno à nossa rotina usual. Talvez o turno das aulas seja encurtado ou ocorra um rodízio entre os alunos. Essa realidade particular da escola pode não ser acompanhada pela retomada do trabalho dos pais, que podem ter que sair de casa para trabalhar em jornada integral. Além disso, sabemos que o período de isolamento gerou um impacto financeiro em muitas famílias. Diante desse cenário atípico, talvez seja o momento ideal para estimular a aproximação das famílias e a criação de redes de apoio. Para isso, propomos as seguintes reflexões: como as famílias das escolas podem se configurar em uma rede de apoio? Como podemos incentivar algum cuidado em rede?

*AÇÃO JUNTOS SOMOS MAIS FORTES

Durante a quarenta, convidamos aos pais para divulgarem os seus negócios individuais e publicamos nas redes sociais da escola. A escola impulsiona as potencias e é um meio propagador para criar uma rede de apoio em que todos possam divulgar seu trabalho para nos unirmos diante desse desafio econômico. A ideia é continuar esse projeto de divulgar o trabalho dos pais.

*IMPORTÂNCIA DE UM ACOMPANHAMENTO COLETIVO

Como todos vivemos algo inédito e muitas vezes doloroso, o acompanhamento pedagógico e emocional precisará de um cuidado ainda mais especial. A escola, espaço social e coletivo estará atenta a esse olhar especializado? Como dar conta desse cuidado sem ser mais um peso para professores e coordenadores?

AÇÃO DOS TUTORES RESPONSÁVEIS



Teremos na escola dois tutores por casa para que possam fazer um acompanhamento mais de perto do desempenho emocional e cognitivo dos alunos. Essa dupla pode ser formada por professores e/ou direção técnica, que devem observar/dialogar com alunos para coletar informações sobre como estão emocionalmente e traçar planos de ação pedagógicos e emocionais. Isso significa estar aberto a escutar, a legitimar os sentimentos sem apresentar juízo de valor, a perceber mudanças de comportamento, a mostrar que a criança/jovem não está sozinho, e saber pedir ajuda profissional, reconhecendo os próprios limites de atuação.

ESCUTA DOS PROFESSORES



Construiremos um mural na sala de professores com duas perguntas, que o professor possa preencher livremente, propondo uma reflexão sobre as superações e aprendizagens e práticas que queiram continuar aplicando, favorecendo através do reconhecimento a busca por desenvolvimento profissional constante. Construiremos um grande mural com a contribuição de todos os envolvidos. A ideia é avaliar como as coisas estão caminhando, o que já aprendemos e estamos nos capacitando. O momento agora é olharmos para o processo que estamos reinventando, parar e ouvir, saindo do excesso e indo para a essência.

- O QUE FOI MAIS DIFÍCIL OU QUAL FOI O MAIOR DESAFIO DO ENSINO REMOTO?
- QUAL PRÁTICA DOCENTE VOCÊ QUER ADOTAR A PARTIR AGORA?

ESCUTA AOS ALUNOS



Construção de um mural na sala do jardim e pré com duas perguntas, que os alunos devem preencher livremente.

- O QUE FOI MAIS DIFÍCIL OU QUAL FOI O MAIOR DESAFIO DO ENSINO REMOTO?
- O QUE VOCÊ GOSTARIA QUE SE MANTIVESSE DO ENSINO REMOTO?

Posteriormente, alguém da coordenação deve ter um momento com cada turma para discutir essa produção coletiva. Estimule um debate com os alunos sobre o seu processo de aprendizagem, sobre os formatos que favorecem a aprendizagem, seja em termos de metodologias oferecidas pelos professores ou ainda como sentimentos podem ter afetado esse processo. O autoconhecimento pode ser um grande aliado no desempenho acadêmico e bem-estar do aluno.

QUAL O REAL PAPEL DA ESCOLA



Durante esse período de isolamento social, nossa escola conseguiu adotar o ensino remoto, com aulas on-line e aulas gravadas. A escola foi convidada a pensar sobre o seu formato e sobre a sua essencialidade na vida das crianças. Manter a conexão com os alunos, planejar atividades, pensar no melhor formato de relação pelas telas, perceber o seu aluno, criar formas diversas de fala, através da fala, do corpo e da produção acadêmica. Essa experiencia tem sido inaugural e marcam a nova modalidade de ensino híbrido em que o espaço de aprendizagem pode ser em casa ou na escola. As professoras aguçaram seu olhar para os alunos e criaram estratégias diversas, como alongamento, danças, exercício físico, cantar músicas para favorecer esse contato virtual. Nesse sentido a escola têm podido ser esse porto seguro, que cria e recria formas de aprendizagens. Agora daremos continuidade no que foi modificado.

A escola tem papel não apenas de transmitir conhecimento, mas de promover a atividade significativa de uma perspectiva integral. As crianças não aprendem apenas com os docentes, elas aprendem nas interações. Nesse momento social de pandemia, o que está fazendo falta às famílias é a criança estar em um espaço social no qual ela possa ter um local de experiencia com seus pares e qualificação do seu tempo. O grande aprendizado desse momento na educação é entender o quanto a escola faz parte da nossa vida e o quanto a sociedade se movimenta em torno da escola.

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