Mãos de crianças explorando sementes

Prazer em conhecer...

Dalva de Lourdes Pereira

Neuropsicopedagoga
Diretora Geral da Escola CDI Santa Maria

Palavras-chave: Primeira Infância, Aprendizagem, Desenvolvimento Infantil, Família, Escola, Brincar

É assim que nos manifestamos quando somos apresentados a alguém. E é assim que nos sentimos quando somos apresentados a algo, uma novidade, quando fazemos uma descoberta, adquirimos uma aprendizagem... Ops! A ficha cai e o que era desconhecido torna-se conhecido, sabido, consolidado na memória e nos fazeres!

E qual é a via de aprendizagem, a mão que se estende para conduzir as crianças ao conhecimento? Quem apresenta a vida para os pequenos!

Sem nenhuma dúvida, primeiro serão sempre os pais! A família que gera, gesta e procria o novo ser que chega para habitar entre nós.

Sabemos que a herança genética traz capacidades às crianças desde o nascimento, como os primeiros movimentos corporais: sentar, engatinhar, ficar em pé, andar, falar. E ao crescer outras funções surgem, como as simbólicas, as emocionais, de busca por resultado de bem-estar, recompensas de prazer, alegrias, realizações pessoais...

Na constituição do indivíduo vêm, também, as capacidades expressivas: de comunicação e conexão com o outro, com o ambiente, numa evolução sócio-histórica-cultural singular e plural. As crianças desfrutam dessas capacidades intensamente nos primeiros anos de forma espontânea e, por que não dizer, “instantânea”.

Não podemos deixar de mencionar as capacidades expressivas, quais sejam: dançar, teatralizar, cantar, pintar, desenhar, contar, narrar histórias, porque sempre estarão embaladas em emoções transbordantes, inerentes aos humanos.

Na criança, a capacidade de brincar, própria da espécie humana, em contextos diversos, nos contatos físicos, no imaginário, na criatividade, no humor, é uma estratégia de desenvolvimento primordial nos primeiros dez anos de vida. Brincar é o laboratório de experiências que alimentam o “self” (consciência e percepção de si) que vai se constituindo para a vida futura.

Isso tudo, a nosso ver, traduz o “conhecer” e, afinal, para a criança “conhecer”, entendemos que ela passará inevitavelmente por esses caminhos e vivências, mas é preciso cuidar...

Cuidar da qualidade, da preservação, da sustentabilidade, da saúde física, mental e emocional dos pequenos em nossas vidas! Os filhos, os netos, os alunos, as crianças da nossa rua, do nosso condomínio, do nosso bairro. Enfim, cuidar da infância! Do que permitimos ou não à criança contemporânea!

Nós, os adultos ao redor das crianças, somos todos responsáveis pela reflexão, pelo equilíbrio, pelas decisões, pelas ações que envolvem as crianças.

Aos pais caberá sempre o ponto de partida. É no lar, na família, que tudo começou e começa na vida das crianças. Não é aceitável evitar, esconder ou superprotegê-los, mas sim apresentar o mundo como ele é, explicando, significando, colocando limites, dando bordas, apoiando, acompanhando e incentivando a curiosidade da criança, o destemor/respeito, a iniciativa, a autonomia.

À Escola caberá despertar em cada criança a vontade, a satisfação, a sede de conhecimento, a capacidade de aprender cada vez melhor. A Escola deverá ajudá-los a despertar suas capacidades pré-existentes, desenvolver as novas competências, habilidades e consolidar dispositivos intelectuais e cognitivos que lhes permitam viver como indivíduo valoroso, único, capaz de existir na sociedade, trilhar sua própria jornada, construir a sua própria história.

Enfim! Quem dá o significado, o sentido, o tom, a direção... para essa turminha que chega ao mundo se saber, se entender, assim como tudo o que acontece neste mundo. Vasto mundo!

Até breve!

Artigo inspirado em palestra de Elvira Souza Lima, artigo de Noah W. Sobe e texto “Aprender a conhecer” — Os 4 pilares da Educação/Unesco.